Como é o jejum que a Bíblia ensina?
Como é o jejum que a Bíblia ensina?
Dejair Barboza;
Bacharel em Teologia.
Um dos
versículos mais claros acerca do jejum está na pergunta que o Senhor faz aos
judeus: "Quando
jejuastes e pranteastes no quinto e no sétimo mês, durante estes setenta anos,
jejuastes vós para mim, mesmo para mim?" (Zc 7.5).
Creio que o jejum para o Senhor não é aquele em que deixamos de comer, ou fazer qualquer coisa, para termos mais comunhão com Ele, mas exatamente o contrário. Creio que é ter tanta comunhão com Ele que tudo o mais passa para o segundo plano, inclusive o comer. Lendo Isaías 58 você verá que o jejum verdadeiro é o despojar‑se de si mesmo.
Em todo caso, o jejum verdadeiro é algo tão íntimo que se uma pessoa contasse a você como ela faz o jejum, já não seria um jejum sincero pois o próprio Senhor disse: "Porém tu, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto. Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em oculto; e teu Pai, que vê em oculto, te recompensará" (Mt 6.17,18). Portanto, desconfie da sinceridade daqueles que proclamam aos quatro ventos que estão jejuando.
Deus não instituiu um jejum na Lei dada aos israelitas. O primeiro jejum que aparece na Bíblia é o de Moisés, quando subiu ao monte para receber as tábuas da Lei, ficando quarenta dias e quarenta noites sem comer.
Êxo 34:28 E esteve ali com o SENHOR quarenta dias e quarenta noites; não comeu pão, nem bebeu água, e escreveu nas tábuas as palavras da aliança, os dez mandamentos.
O jejum de Moisés, e também de Elias em 1Rs 19:8, significava uma separação da vida normal da carne para estar com o Senhor e dedicar-se exclusivamente a Ele.
1Rs 19:8 Levantou-se, pois, e comeu e bebeu; e com a força daquela comida caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus.
O primeiro jejum coletivo foi em Juízes 20:26 e foi decorrente da humilhação vinda do fracasso e da derrota.
Jzs 20:26 Então todos os filhos de Israel, e todo o povo, subiram, e vieram a Betel e choraram, e estiveram ali perante o SENHOR, e jejuaram aquele dia até à tarde;
A ímpia
Jezabel também decretou um jejum em nome de seu marido Acabe, nas cartas
enviadas ao povo, para dar um ar de religiosidade ao homicídio que estava
prestes a cometer, mostrando que o jejum também pode estar conectado a atos de
impiedade.
1Rs 21:9-10 E escreveu nas cartas, dizendo: Apregoai um jejum, e ponde Nabote diante do povo. E ponde defronte dele dois filhos de Belial, que testemunhem contra ele, dizendo: Blasfemaste contra Deus e contra o rei; e trazei-o fora, e apedrejai-o para que morra.
O primeiro jejum condicional, ou seja, do tipo em que se faz algo para se buscar o favor de Deus, foi em 2 Crônicas 20:3 quando Jeosafá proclamou um jejum em todo o Judá por causa da iminência de um ataque das forças inimigas.
2Cr 20:3 Então Jeosafá temeu, e pôs-se a buscar o SENHOR, e apregoou jejum em todo o Judá.
Ao que tudo indica, apesar de não ter sido instituído na Lei, era um costume entre o povo de Israel e o próprio Senhor fala do jejum em uma passagem:
Mar 9:29 E disse-lhes: Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração e jejum.
William MacDonald comenta:
"Jejuar é privar-se da gratificação de qualquer apetite físico. Pode ser voluntário, como em Mt 6:16-17, ou involuntário (At27:33; 2Co11:27). No NT está associado à tristeza (Mt 9:14-15) e oração (Lc 2:37; At 14:23). Nestas passagens (Mt 6:16-18) o jejum é acompanhado de oração num reconhecimento da sinceridade em se discernir a vontade de Deus.
Ainda
na Antiga Aliança encontramos o jejum relacionado ao:
- Luto pelos mortos (1Sm 31:13 e 2Sm 1:12)
- Infortúnio e profunda tristeza (Jz20:25; 1Sm 1:7;
20:34; Ne 1:4; Sl 35:13; 109:24 e Jl 1:14; 2:12,15)
- Com expressão de dor e arrependimento pelos pecados (Dt
9:18; 1 Sm 7:6; 1 Rs 21:27; Ed 10:6; Ne 9:1; Sl 69:10; Jn 3:5).
O
próprio Jesus praticou o jejum, os líderes da Igreja também o faziam. (Atos
13:1-3; 14:23 e 27:9). Registros históricos dos pais da igreja também revelam
que o jejum continuou sendo observado como prática dos cristãos durante muito
tempo depois dos apóstolos. O jejum, portanto, deve ser parte de nossas vidas e
praticado de forma equilibrada, dentro do ensino bíblico.
Embora
o próprio Senhor Jesus tenha jejuado por quarenta dias e quarenta noites no
deserto, e muitas vezes ficava sem comer (quer por falta de tempo ministrando
ao povo - Mc.6:31, quer por passar as noites só orando sem comer - Mc.6:46),
devemos reconhecer que Ele e seus discípulos não observavam o jejum dos judeus
de seus dias.
Era
costume dos fariseus jejuar dois dias por semana (Lc.18:12), mas Jesus e seus
discípulos não o faziam. Aliás, chegaram a questionar Jesus acerca disto:
"Disseram-lhe eles: Os discípulos de João e bem assim os fariseus frequentemente
jejuam e fazem orações; os teus, entretanto, comem e bebem. Jesus, porém, lhes
disse: Podeis fazer jejuar os convidados para o casamento, enquanto está com
eles o noivo? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; naqueles
dias, sim, jejuarão." Lucas 5:33-35.
O
Mestre mostrou não ser contra o jejum, e disse que depois que Ele fosse
"tirado" do convívio direto com os discípulos (voltando ao céu) eles
haveriam de jejuar. Jesus não se referiu ao jejum somente para os dias entre
sua morte, ressurreição e reaparição aos discípulos (ao mencionar os dias que
eles estariam sem o noivo), e sim aos dias a partir de sua morte.
Contudo,
Jesus deixou bem claro que a prática do jejum nos moldes do que havia em seus
dias não era o que Deus esperava. A motivação estava errada, as pessoas
jejuavam para provar sua religiosidade e espiritualidade, e Jesus ensinou a
fazê-lo em secreto, sem alarde.
O
jejum pode ser uma prática vazia se não for feito da maneira correta. Isto
aconteceu no Antigo Testamento, quando o povo começou a indagar: "Por que
jejuamos nós, e não atentas para isto? Por que afligimos a nossa alma, e tu não
o levas em conta?" Isaías 58:3a.
E
a resposta de Deus foi exatamente a de que estavam jejuando de maneira errada:
"Eis que, no dia em que jejuais, cuidais dos vossos próprios interesses e
exigis que se faça todo o vosso trabalho. Eis que jejuais para contendas e para
rixas e para ferirdes com punho iníquo; jejuando assim como hoje, não se fará
ouvir a vossa voz no alto." Isaías 58:3b,4. Por outro lado, o versículo
está inferindo que se observado de forma correta, Deus atentaria para isto e a
voz deles seria ouvida.
Tiago
1:27 "A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta:
visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se
incontaminado do mundo."
Mas
no Novo Testamento percebemos que a prática do jejum continua, sem haver ênfase
na prática do mesmo como forma de obedecer a lei, mas sim a ênfase está na
disciplina individual de quem o pratica.
O jejum
não tem qualquer mérito no que diz respeito à salvação, e nem dá a um cristão
uma posição especial diante de Deus. Um fariseu certa vez gabou-se de jejuar
duas vezes por semana, porém aquilo não lhe deu a justificação que buscava (Lc 18:12, 14). Mas quando um cristão jejua secretamente
como um exercício espiritual, Deus vê e recompensa. Apesar de não ser ordenado no NT, o jejum é
encorajado pela promessa de uma recompensa. Ele pode ajudar na vida de oração
de alguém por afastar da pessoa a sonolência e o entorpecimento. Ele é valioso em
épocas de crise quando se deseja discernir a vontade de Deus. E tem seu valor
em promover a autodisciplina. Jejuar é uma questão entre o indivíduo e Deus e
deveria ser feito apenas com o desejo de agradar a Deus. Ele perde o seu valor
quando é uma obrigação vinda de fora ou feito com o objetivo de se
exibir." (W. MacDonald)
A motivação do seu coração é a chave para um jejum eficiente.
Muitos
confundem a disciplina de jejuar para reservar mais tempo ao Senhor com o
ensino errôneo de autoflagelação. O ensino de algumas religiões chega a ser
pecaminoso, nenhuma forma de auto-justiça, auto piedade, auto sacrifício será
aceita por Deus.
Deus
não é um Deus sanguinário que aguarda pelo sofrimento e flagelação de seu povo
para em troca abençoa-lo. Não tente cambiar, barganhar, fazer negócio com Deus
para em troca obter respostas as suas orações.
Salmos 51:16 "Pois não te comprazes em
sacrifícios; do contrário, eu os traria; e não te agradas de holocaustos.
Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e
contrito, não o desprezarás, ó Deus."
Isaías 58:5-6 "Seria
este o jejum que escolhi, que o homem um dia aflija a sua alma, incline a sua
cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco e cinza? Chamarias tu
a isto jejum e dia aceitável ao SENHOR? Porventura, não é este o jejum que
escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da
servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo?"
É
uma ilusão pensar que qualquer sacrifício pessoal de nossa parte possa comover
o coração de Deus, o único sacrifício que Ele reconhece foi aquele oferecido
por Jesus na cruz do Calvário! Jejuar e orar acreditando que com esse
"sacrifício" você vai conseguir persuadir a Deus a satisfazer seus
desejos narcisistas e hedonistas é pecado! Ainda que inconscientemente é um
meio de tentar competir com aquilo que Jesus já realizou na cruz do Calvário.
Precisamos
e devemos jejuar para exercitarmos nossa vida de oração. Os pais da igreja
primitiva reuniam-se semanalmente para consagrar suas vidas e buscarem a Deus,
esses encontros eram marcados por jejum e oração.
Sempre
que me dedico a longos períodos de jejum e oração, fico muito mais sensível a
voz do Espírito Santo. Tenho maior discernimento espiritual das circunstâncias
que estão ao meu redor. Sempre que meu organismo reclama por alimento,
lembro-me que preciso orar mais um pouco.
Porém
assim que observo estar passando mal, ou que meu rosto já está tão desfalecido
que todos percebem, oro a Deus entregando aquele período de jejum e procuro
alimentar-me.
Quando
entramos em longos períodos de jejum e oração, precisamos preparar nosso
organismo para o mesmo, e mesmo depois ao terminarmos períodos com mais de 7 ou
10 dias de jejum ininterrupto, precisamos absorver alimentos leves.
Para
quem nunca jejuou e orou, parece impossível passar 10 dias seguidos em jejum
total de alimentos, apenas bebendo líquidos. Porém quero lhe dizer que a maior
dificuldade será o apenas os três primeiros dias, depois deles a dor de cabeça
vai embora, a dificuldade para pegar no sono desaparece e seu organismo começa
a absorver energia de suas reservas.
Porém
se você não está acostumado a passar longos períodos em jejum, não fique
frustrado. Você pode jejuar três dias seguidos e todas as noites fazer um
lanche leve ou ainda fazer jejum de apenas 24 horas. Lembre-se que o Espírito
Santo nos ajuda em nossas fraquezas.
Não
recomendo a ninguém praticar o jejum absoluto, aquele em que até o líquido foi
eliminado. Existem evidências de que Moisés quando recebeu as tábuas da lei
praticou esse tipo de jejum, (Êx 34:28 e Dt 9:9) e Elias (1 Rs 19:8). Acredito
que ele só possa ser praticado por um meio sobrenatural.
O
próprio Senhor Jesus ao jejuar no deserto, depois de 40 dias e 40 noites teve
"fome" e que foi tentado a "comer" e não a beber. O texto
não fala que Ele teve sede, o que nos leva a crer que Ele tenha feito
abstinência apenas de alimentos e não líquidos (Mt 4:1-3, 11). Outro aspecto
interessante é que Ele foi levado, impelido, conduzido pelo Espírito Santo a
esse longo período de jejum e que "não teve fome" durante os dias de
consagração.
Podemos
perfeitamente jejuar e orar enquanto seguimos nossa rotina semanal, de estudos,
trabalhos e demais compromissos. Veja o que diz 1 Reis 19:8 "Levantou-se,
pois, comeu e bebeu; e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e
quarenta noites até Horebe, o monte de Deus". Quem quer encontrará um
meio, quem não quer encontrará uma bela desculpa.
"O
jejum não muda a Deus. Ele é o mesmo antes, durante e depois de seu jejum. Mas,
jejuar mudará você. Vai lhe ajudar a manter-se mais suscetível ao Espírito de
Deus". K. H.
Vejamos alguns exemplos bíblicos de jejum:
Consagração
- O voto do nazireado envolvia a abstinência/jejum de determinados tipos de
alimentos (Nm.6:3,4);
Arrependimento
de pecados - Samuel e o povo jejuando em Mispa, como sinal de arrependimento de
seus pecados (I Sm.7:6, Ne.9:11);
Luto
- Davi jejua em expressão de dor pela morte de Saul e Jônatas, e depois pela
morte de Abner. (II Sm.1:12 e 3:35);
Aflições
- Davi jejua em favor da criança que nascera de Bate-Seba, que estava doente, à
morte (II Sm.12:16-23); Josafá apregoou um jejum em todo Judá quando estava sob
o risco de ser vencido pelos moabitas e amonitas (II Cr.20:3);
Buscando
Proteção - Esdras proclamou jejum junto ao rio Ava, pedindo a proteção e benção
de Deus sobre sua viagem (Ed.8:21-23); Ester pede que seu povo jejue por ela,
para proteção no seu encontro com o rei (Et.4:16);
Em
situações de enfermidade - Davi jejuava e orava por outros que estavam enfermos
(Sl.35:13);
Intercessão
- Daniel orando por Jerusalém e seu povo - 21 dias (Dn.9:3, 10:2,3);
Preparação
para a Batalha Espiritual - Jesus mencionou que determinadas castas só sairão
por meio de oração e jejum, que trazem um maior revestimento de autoridade
(Mt.17:21);
Estar
com o Senhor - Ana não saía do templo, orando e jejuando frequentemente
(Lc.2:37);
Preparar-se
para o Ministério - Jesus só começou seu ministério depois de ter sido cheio do
Espírito Santo e se preparado em jejum (prolongado) no deserto (Lc.4:1,2);
Ministrar
ao Senhor - Os líderes da igreja em Antioquia jejuando apenas para adorar ao
Senhor (At.13:2);
Enviar
ministérios - Na hora de impor as mãos e enviar ministérios comissionados
(At.13:3);
Estabelecer
presbíteros - Além de impor as mãos com jejum sobre os enviados, o faziam
também sobre os que recebiam autoridade de governo na igreja local, o que
revela que o jejum era um princípio praticado nas ordenações de ministros
(At.14:23).
Nas
Epístolas só encontramos menções de Paulo de ter jejuado (II Co.6:3-5;
11:23-27).
Diferentes Formas de Jejum
JEJUM PARCIAL. - Normalmente o jejum parcial é
praticado em períodos maiores ou quando a pessoa não tem condições de se abster
totalmente do alimento (por causa do trabalho, por exemplo). Lemos sobre esta
forma de jejum no livro de Daniel:
"Naqueles
dias, eu, Daniel, pranteei durante três semanas. Manjar desejável não comi, nem
carne, nem vinho entraram em minha boca, nem me ungi com óleo algum, até que se
passaram as três semanas." Daniel 10:2,3.
O
profeta Daniel diz exatamente o que ficou sem ingerir: carne, vinho e manjar
desejável. Provavelmente se restringiu à uma dieta de frutas e legumes, não
sabemos ao certo. O fato é que se absteve de alimentos, porém não totalmente.
E
embora tenha escolhido o que aparentemente seja a forma menos rigorosa de
jejuar, dedicou-se à ela por três semanas. Em outras situações Daniel parece
ter feito um jejum normal (Dn.9:3), o que mostra que praticava mais de uma
forma de jejum. Ao fim deste período, um anjo do Senhor veio a ele e lhe trouxe
uma revelação tremenda.
JEJUM NORMAL. - É a abstinência de alimentos mas
com ingestão de água. Foi a forma que nosso Senhor adotou ao jejuar no deserto.
"Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo
Espírito, no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo Diabo. Nada
comeu naqueles dias, ao fim dos quais teve fome." Mateus 4:2.
JEJUM TOTAL - É abstinência de tudo, inclusive de
água. Na Bíblia encontramos poucas menções de ter alguém jejuado sem água, e
isto dentro de um limite: no máximo três dias. A água não é alimento, e nosso
corpo depende dela a fim de que os rins funcionem normalmente e que as toxinas
não se acumulem no organismo. Há dois exemplos bíblicos deste tipo de jejum, um
no Velho outro no Novo Testamento:
Ester,
num momento de crise em que os judeus (como povo) estavam condenados à morte
por um decreto do rei, pede a seu tio Mardoqueu que jejuem por ela: "Vai,
ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não
comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas
servas também jejuaremos. Depois, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei;
se perecer, pereci." (Ester 4:16).
Paulo,
na sua conversão também usou esta forma de jejum, devido ao impacto da
revelação que recebera: "Esteve três dias sem ver, durante os quais nada
comeu, nem bebeu" (Atos 9:9).
Não
há qualquer outra menção de um jejum total maior do que estes (a não ser o de
Moisés e Elias numa condição sobrenatural). Veja Dt 9:9, Ex 34:28 e 1 Rs
19:8.
A medicina adverte contra um
período de mais de três dias sem água, como sendo nocivo. Devemos cuidar do
corpo ao jejuar e não agredi-lo; lembre-se de que estará lutando contra sua
carne (natureza e impulsos) e não contra o seu corpo.
A Duração do Jejum
na Bíblia:
1
dia - O jejum do Dia da Expiação
3
dias - O jejum de Ester (Et.4:16) e o de Paulo (At.9:9);
7
dias - Jejum por luto pela morte de Saul (I Sm.31:13);
14
dias - Jejum involuntário de Paulo e os que com ele estavam no navio (At.27:33)
21
dias - O jejum de Daniel em favor de Jerusalém (Dn.10:3);
40
dias - O jejum do Senhor Jesus no deserto (Lc.4:1,2);
Bíblia
fala de Moisés (Ex.34:28) e Elias (I Re.19:8) jejuando períodos de quarenta
dias. Porém vale ressaltar que estavam em condições especiais, sob o
sobrenatural de Deus. Moisés nem sequer bebeu água nestes 40 dias, o que
humanamente é impossível.
Mas
ele foi envolvido pela glória divina. O mesmo se deu com Elias, que caminhou 40
dias na força do alimento que o anjo lhe trouxe. Isto é um jejum diferente que
começou com um belo "depósito", uma comida celestial. Jesus, porém,
fez um jejum normal com esta duração.
Muitas
pessoas erram ao fazer votos ligados à duração do jejum... Não aconselho
ninguém fazer um voto de quanto tempo vai jejuar, pois isso te deixará
"preso" no caso de algo fugir ao seu controle. Siga o conselho
bíblico:
"Quando
a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de
tolos. Cumpre o voto que fazes. Melhor é que não votes do que votes e não
cumpras". Eclesiastes 5:4-5.
É
importante que haja uma intenção e um alvo quanto à duração do jejum no
coração, mas não transforme isto em voto. Já intentei jejuns prolongados e no
meio do caminho fui forçado a interromper. Mas também já comecei jejuns sem a
intenção de prolongá-lo e, no entanto, isto acabou acontecendo mesmo sem ter
feito os planos para isto.
O Jejum Prolongado:
Há
algo especial num jejum prolongado, mas deve ser feito sob a direção de Deus.
Conheço irmãos que tem jejuado por trinta e até quarenta dias, embora eu,
pessoalmente, não tenha feito um jejum tão longo. Cada um deles confirma ter
recebido de Deus uma direção para tal.
Vale
ressaltar também que certos cuidados devem ser tomados. Não podemos brincar com
o nosso corpo. Uma dieta para desintoxicação do organismo antes do jejum é
recomendada, e também na quebra do jejum prolongado (mais de 3 dias).
Podemos Falar que Estamos
Jejuando?
Algumas
pessoas são extremistas quanto a discrição do jejum, enquanto outras, à
semelhança dos fariseus, tocam trombeta diante de si. Em Mateus 6:16-18, Jesus
condena o exibicionismo dos fariseus querendo parecer contristados aos homens
para atestar sua espiritualidade.
Ele
não proibiu de se comentar sobre o jejum, senão a própria Bíblia estaria
violando isto ao contar o jejum que Jesus fez... Como souberam que Cristo (que
estava sozinho no deserto) fez um jejum de quarenta dias? Certamente porque Ele
contou! Não saiu alardeando perante todo mundo, mas discretamente repartiu sua
experiência com os seus discípulos.
Eu,
particularmente, comecei a jejuar estimulado pelo relato das experiências de
outros irmãos. Depois é que comecei (aos poucos) a entender o ensino bíblico
sobre o jejum. E louvo a Deus pelas pessoas que me estimularam! Sabe,
precisamos tomar cuidado com determinadas pessoas que não tem o que acrescentar
à nossa edificação e somente atacam e criticam.
Desafio:
Haverá períodos em que o Espírito Santo vai nos atrair mais para o jejum, e
épocas em que quase não sentiremos a necessidade de fazê-lo. Já passei longos
períodos sem receber nenhum impulso especial para jejuns de mais de três dias
e, mesmos estes, foram poucos. E houve épocas em que, seguidamente sentia a
necessidade de fazê-lo.
Porém,
penso que o jejum normal de um dia de duração é algo que os cristãos deveriam
praticar mais, mesmo sem sentir nenhuma "urgência" espiritual para
isto.
Devemos
ser sensíveis e seguir os impulsos do Espírito de Deus nesta área. Isto vale
não só para começar a jejuar mas até para quebrar o jejum. Já fiz jejuns que
queria prolongar mais e senti que não deveria fazê-lo, pois a motivação já não
era mais a mesma... ou estava tão atarefado que o jejum espiritual havia se
transformado em uma "greve de fome", pois eu não estava orando.
Encerro
desafiando-o a praticar mais o jejum, e certamente você descobrirá que o poder
desta arma que o Senhor nos deu é difícil de se medir com palavras. A
experiência fortalecerá aquilo que temos dito. Que o Senhor seja contigo e te
guie nesta prática!